Em entrevista na redação do jornal A CRÍTICA, nesta quinta-feira (28), Vanessa disse que o presidente não gosta de diálogo
(Foto: Jeiza Russo)
A ex-senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), que vai lançar neste sábado (30), pré-candidatura a Câmara dos Deputados, afirmou que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) é o maior ataque às vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela presenciou nos 20 anos que atuou no Congresso Nacional.
Em entrevista na redação do jornal A CRÍTICA, nesta quinta-feira (28), Vanessa disse que o presidente não gosta de diálogo e que na questão do IPI o Amazonas tem que agir mostrando “força” e “unidade”.
“Conheço o Bolsonaro porque convivi com ele por vinte anos. Doze anos diretamente e oito anos ele numa Casa Legislativa e eu na outra, mas tendo muito contato. O Bolsonaro nunca foi uma pessoa de diálogo e agora na presidência da República, ele tem demonstrado isso”, ressaltou.
Vanessa disse que chamou atenção o fato de o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante) não ter sido convidado para a reunião de ontem entre o governador Wilson Lima (UB) e o presidente Bolsonaro. A reunião foi orquestrada pelo ex-superintendente da Suframa, coronel Menezes.
“Não vi o prefeito da cidade de Manaus lá, mas vi um cidadão que não ocupa cargo nenhum. É triste ver que o prefeito de um município que abriga a Zona Franca não estava lá. Tenho certeza que o prefeito David estaria se tivesse sido chamado”, notou Grazziotin.
A ex-senadora ainda aproveitou para criticar a atuação dos deputado federais Capitão Alberto Neto (PL) e Delegado Pablo, aliados ao presidente, que na avaliação dela, consideram “a posição político-partidária deles mais importante que os 500 mil empregos diretos e indiretos” gerados pelo Polo Industrial de Manaus (PIM).
Eleição
Vanessa Grazziotin se arriscou em cravar que nestas eleições a federação partidária entre o PT, PV, PCdoB vai conseguir eleger ao menos dois deputados federais. Nesta aglutinação de partidos, a ex-senadora disputa com o atual deputado federal José Ricardo (PT), que foi o candidato mais votado para Câmara dos Deputados, em 2018.
Sem especificar, Grazziotin chegou a se queixar que há pré-candidaturas na disputa com massivo apoio da máquina pública, mas ela aposta que o diferencial da federação esquerdista é o fato de os candidatos trabalharem pela volta de políticas públicas na área social.
Apesar da queixa, Grazziotin, então senadora, disputou em 2012, a Prefeitura de Manaus com amplo apoio da presidente Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que inclusive vieram a Manaus fazer campanha para a comunista.
Questionada se agora será mais difícil ser eleita, já que não conta com a mesma estrutura de apoio, a comunista respondeu que todas eleições que concorreu sempre foram com pouca estrutura.
STF
Se referindo à graça dada por Bolsonaro ao deputado federal Daniel Silveira (PL-RJ), Vanessa reconheceu que o presidente tem o direito constitucional de conceder o indulto, mas na opinião dela, o artifício foi usado para provocar o Supremo Tribunal Federal (STF).
A ex-congressista lembrou também que na maioria dos atos antidemocráticos que pediram o fechamento do Supremo e do Congresso Nacional, Bolsonaro participou.
“Um dia o Supremo julga um deputado por crimes cometidos e no outro dia ele dá o direito à graça, indulto ao deputado e no outro dia ainda faz uma solenidade de entrega. Aquilo não é uma ação apenas, um direito que o presidente tem de exercer as suas atribuições constitucionais, porque é um direito constitucional. Aquilo é uma provocação ao Supremo”, destacou.
Sobre a violência política sofrida por ela durante um ato em defesa da Zona Franca de Manaus, no último domingo (24), na Feira da Compensa, Vanessa informou que a pessoa já foi identificada e denunciada.