Especialistas atribuem a cerração a queimadas ocorridas no Sul do Amazonas
Imagem do bairro de Petrópolis, zona Centro-Sul de Manaus mostram o céu esfumaçado (Junio Matos)
Quem saiu de casa neste sábado (20) ou pelo menos abriu a janela, viu o céu de Manaus diferente. Uma camada acinzentada cobre a capital amazonense desde as primeiras horas da manhã. Segundo alguns especialistas, a razão para o fenômeno são os inúmeros focos de queimadas em regiões do Amazonas e Pará.
“Essa poluição toda é resultante de uma grande quantidade de queimadas entre o Amazonas e o Pará, principalmente municípios como Apuí e Novo Progresso”, destacou o meteorologista e mestre em Clima e Ambiente Willy Hagi.
De acordo com ele, é por conta de uma circulação atmosférica anormal que a fumaça encobriu a capital amazonense e a previsão para os próximos dias, segundo ele, é que fenômeno continue perceptível.
“A passagem de um sistema meteorológico frontal pelo Sul do Amazonas, Acre e Rondônia nos últimos dias acabou ajudando a trazer um pouco da poluição dessas regiões para cá. Justamente por isso, é esperado que essa condição de qualidade do ar deteriorada na capital continue no restante do fim de semana e nos próximos dias”.
O secretário estadual de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, explicou em suas redes sociais que, "segundo o modelo de deslocamento de monóxido de carbono, há uma influência da massa de ar polar sobre a circulação de ventos no Amazonas, fazendo com que a fumaça de queimadas, em especial do Oeste Paraense e em menor escala da região Sul e Sudeste do Amazonas, seja transportada para a Região Metropolitana de Manaus".
Queimadas na área urbana agravam o problema
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, informou na tarde deste sábado (20), que a baixa visibilidade causada pela camada cinzenta que encobriu Manaus ocorreu também por conta dos focos de queimadas registrados na Região Metropolitana e no perímetro rural e urbano da capital.
De acordo com Antonio Ademir Stroski, titular da Semmas, os focos de queimadas associados à questão climática e a baixa pluviosidade, característica comum do verão amazônico e que contribuem para o surgimento deste fenômeno, que pode ser prejudicial a saúde.
"No ambiente urbano, as pessoas costumam fazer uso do fogo quando limpam o quintal da sua casa, tem resíduos e tem a vegetação. No ambiente rural também é o período das queimadas, do preparo do solo, principalmente da agricultura familiar, e nós temos muita ocorrência dos municípios que compõem a região metropolitana. Então a conjugação desses fatores, associada à questão climática, baixa pluviosidade e também poucos ventos, nós temos esse comprometimento, da visibilidade, da qualidade do ar e certamente, poderemos ter problemas para as pessoas”, explicou.